Educação infantil e online: desafios e soluções em uma pandemia

Estamos há mais de um ano vivendo em uma pandemia que afeta a todos e os desafios são muitos, principalmente em relação à saúde, economia e educação, pois tivemos que nos adaptar a uma nova realidade de uma hora para outra. 

A educação presencial passou a ser online e isso trouxe à tona um grande despreparo de muitos educadores, seja em relação às tecnologias ou à didática e forma de ensinar que não é a mesma que em sala de aula. O mais desafiador dos problemas foi para os alunos, muitos não têm o equipamento necessário (computador, telefone, internet), muitos pais sem formação para auxiliar no aprendizado ou tempo para isso e vimos um grande aumento da evasão escolar. Segundo uma reportagem publicada pela CNN Brasil (2021), em 2020 foram aproximadamente 5,5 milhões de crianças e adolescentes sem acesso à educação, e o número de alunos entre 6 e 17 anos que abandonaram as escolas chegou a 1,38 milhões (3,8% dos estudantes). Adicionalmente 4,12 milhões de alunos, ou seja, 11,2% dos alunos embora matriculados e sem estar em período de férias, não receberam nenhuma atividade escolar, consequência do ensino online.

Para a educação infantil, de 0 a 5 anos, as consequências do ensino na pandemia foram igualmente alarmantes. Um estudo feito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro em parceria com a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal mostrou a importância da relação da criança com a escola e quais foram os impactos do ensino online devido a pandemia, e como bem mencionado na reportagem de Carolina Delboni ao Jornal Estadão (2021), “os números não emanam sorrisos”, sendo os pontos principais levantados pelo estudo:

- aprofundamento das desigualdades educacionais, com aumento das diferenças entre crianças vulneráveis e não vulneráveis, é uma ferida exposta no país.

- a diferença de atividades que ajudam a estimular as crianças, como pintar, desenhar, recortar e ouvir histórias, são mais frequentes entre as famílias com nível socioeconômico mais alto. A diferença chega a mais de vinte pontos percentuais entre os mais ricos e os mais pobres. 

- Para mais de 60% das famílias de crianças na escola pública, a falta de acesso ou a baixa qualidade do acesso à internet é uma das dificuldades mais preocupantes porque é o que garante a oferta de atividades remotas. Na escola privada, o problema atinge apenas 17% das famílias. Esse baixo acesso ao ambiente escolar remoto também compromete a relação com o professor e o aprendizado. 

- Mais de 30% das famílias de crianças em escolas públicas não mantiveram nenhum contato com os professores durante a pandemia. O percentual cai para 10% no caso de famílias de crianças em escolas privadas. 

Outro dado preocupante foi evidenciado no estudo conduzido pela Fundação Lemann, o Itaú Social e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID): “mais da metade (51%) das crianças em processo de alfabetização na rede pública brasileira ficaram no mesmo estágio de aprendizado, ou seja, não aprenderam nada de novo durante a pandemia. Entre os estudantes brancos, 57% teriam aprendido coisas novas, segundo a percepção dos responsáveis. Entre os estudantes negros, esse índice cai para 41%”(FUNDACRED, 2021). 

Além disso, de acordo com a pesquisa Repercussões da Pandemia de COVID-19 no Desenvolvimento Infantil, do Núcleo de Ciência Pela Infância (NCPI), o distanciamento social pode acentuar ou fazer surgir algumas dificuldades funcionais e comportamentais nas crianças (PORTAL APRENDIZ, 2021). O estudo apresenta “evidências neurocientíficas que comprovam que o cérebro das crianças de 0 a 6 anos está reagindo, neste contexto, da mesma maneira que reagiriam a conflitos e desastres naturais. Além do medo e do estresse, é possível observar irritabilidade, maior apego aos pais, agitação e até mesmo infantilização nas falas e comportamentos regressivos” (PORTAL APRENDIZ, 2021).

Mesmo que seja desafiador depois de tanto tempo de distanciamento social, a saída para a melhora no comportamento e desenvolvimento das crianças continua sendo propor atividades diferentes. Inspire-se com atividades para crianças:

- Comunicação: dedicar um tempo, mínimo que seja, pode contribuir para o desenvolvimento da criança! Converse, escute, conte uma história, cante, faça comunicação ativa. A comunicação contribui para o aprendizado e controle emocional da criança, além de adaptação no convívio social.

- Curiosidade e descoberta: brincadeiras que estimulem a criança a pensar e a explorar o espaço em que vive, experimentar novas sensações e habilitar o poder de escola são importantes. 

- Programas educativos: estimule a criança a ter contato com livros, mesmo sem entender muita coisa isso pode criar um hábito essencial para o seu desenvolvimento. Vídeos educativos e animados são excelentes meios de instigar a imaginação, além de criar uma preocupação com questões relevantes para o planeta desde a infância. O Instituto Água Sustentável e o Projeto Professor Água tem diversos materiais com esse objetivo, vale a pena conferir!

- Brincar: é o caminho mais eficaz que as crianças têm de organizar e dar sentido às coisas, sendo que nessa faixa etária, a brincadeira é uma das formas de desenvolvimento mais importantes! 

Como citado por Carolina Delboni, “educar uma criança em casa não é o mesmo que ajudá-la com atividades escolares, educação domiciliar prevê uma série de responsabilidades e diretrizes básicas que o responsável legal pela criança deve cumprir e isso está longe do que as escolas oferecem seja no âmbito pedagógico ou socioemocional”. “Além disso, ter políticas públicas que contribuam, de forma sistêmica, para a infância é fundamental para a sociedade como um todo. É preciso lembrar que é na primeira infância que a maior parte das estruturas cerebrais se consolida, e vão servir como base ao longo de toda vida” - Anna Maria Chiesa, especialista em saúde pública (PORTAL APRENDIZ, 2021).

A educação das nossas crianças depende de todos nós como sociedade!

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Fontes:

CNN Brasil, 2021:

https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/pandemia-aumenta-evasao-escolar-diz-relatorio-do-unicef/

FUNDACRED, 2021: 

https://www.fundacred.org.br/site/2021/09/08/os-impactos-da-pandemia-na-educacao-infantil/

INSTITUTO ÁGUA SUSTENTÁVEL: www.aguasustentavel.org.br

JORNAL ESTADÃO, 2021: 

https://emais.estadao.com.br/blogs/kids/educacao-infantil-sente-impacto-da-pandemia-no-desenvolvimento-da-crianca/

PORTAL APRENDIZ, 2021: 

https://portal.aprendiz.uol.com.br/2020/07/22/o-impacto-da-pandemia-desenvolvimento-infantil/

PROFESSOR ÁGUA: www.professoragua.org.br

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