Recifes de corais: qual a importância para vida das pessoas?

Diferente do que muitas pessoas possam pensar, os corais não são plantas ou rochas que ficam no fundo do mar, na verdade são animais marinhos formados por pólipos (saquinho com divisões radiais internas, uma boca no centro e tentáculos ao seu redor)! Na sua base há o esqueleto calcário do coral, que é fixo em um mesmo local até o fim da sua vida (EXPEDIÇÃO CORAL, 2018). 

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Quando há diversos corais em um mesmo ecossistema, dá-se o nome de recifes de coral, e essas são as maiores estruturas vivas construídas por seres vivos em todo planeta! Abrigam uma enorme diversidade como algas, peixes e diversos organismos e além disso têm grande valor econômico: estima-se que só no Brasil mais de 18 milhões de pessoas dependem direta e indiretamente dos corais (EXPEDIÇÃO CORAL, 2018), e no mundo esse número chega a 500 milhões e gera uma receita anual de aproximadamente 10 trilhões de dólares (INSTITUTO ÁGUA SUSTENTÁVEL, 2021).

Foto de Francesco Ungaro no Pexels (https://www.pexels.com/pt-br/foto/foto-de-peixes-amarelos-perto-de-corais-3129556/)

De acordo com Miguel Mies, coordenador do Projeto Coral Vivo, há 5 serviços ecossistêmicos que os recifes de coral oferecem aos seres humanos e que são de extrema importância para a vida: 

1. Fonte de alimento: 10% de toda proteína animal consumida no planeta vem de recife de coral;

2. Turismo: a beleza natural do coral atrai o setor de turismo e tudo que se relaciona com ele: as operadoras de mergulho, pousadas, restaurantes e o comércio local. Sendo que da mesma maneira que países tem o PIB inteiramente atrelado ao turismo, há locais em que o turismo está inteiramente atrelado a presença de um recife de coral;

3.  Potencial tecnológico: há uma série de espécies que habitam os recifes de corais (corais e outras que não são necessariamente corais) e que produzem substâncias que têm relevância farmacêutica, por exemplo;

4. Indústria pet: como por exemplo o setor da clorofila, que é uma parte da indústria pet e que dependem dos recifes de coral para a sua sobrevivência; 

5. Proteção costeira: o recife é uma estrutura geológica submersa, é uma barreira rígida e submersa que protege a costa de tempestades e erosões.

Recifes de coral no Brasil

A comunidade coralínea no Brasil abrange desde o Parcel de Manuel Luís – MA até os recifes de Viçosa na área de Abrolhos, além das ilhas oceânicas como Atol das Rocas e Fernando de Noronha (FERREIRA & MAIDA, 2006). Os estudos sobre recifes de coral no país tiveram início em 1828 e são os únicos recifes de coral do Atlântico Sul.

Uma pesquisa recente coordenada pelo Projeto Coral Vivo (2021) mostrou que os recifes de coral brasileiros são menos suscetíveis ao branqueamento causado pelo aquecimento global, sendo que as principais características que contribuem para essa resistência são: formato do esqueleto, tolerância a águas turvas, capacidade de sobreviver em maiores profundidades, tolerância a nutrientes, e relações simbióticas flexíveis. “A consequência dessas características é uma considerável menor mortalidade em eventos de branqueamento” (PROJETO CORAL VIVO, 2021).

O branqueamento acontece quando as microalgas simbiontes são eliminadas por conta de estresses como aquecimento, acidificação da água ou poluição e o esqueleto calcário fica visível atrás do tecido quase transparente. 

Além dessa alta resistência ao branqueamento, temos visto que os recifes de coral brasileiro são ainda mais poderosos, pois são capazes de se reproduzir mesmo estando completamente branqueados (PROJETO CORAL VIVO, 2021)!

Como cuidar dos recifes de coral?

A primeira coisa é fazer uma comunicação adequada, falar de corais, explicar o que são os corais, as pessoas precisam saber da sua importância. Para preservar é preciso conhecer. 

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A comunidade precisa entender que os recifes de coral são importantes não só biologicamente, mas também socialmente e que eles afetam suas vidas, pois fornecem alimentos, remédios, protegem o litoral contra erosão e mais. É aí que a educação entra, é através dela que podemos formar pessoas conscientes e engajadas. A comunicação e a educação ambiental devem trabalhar lado a lado se quisermos mudar a percepção das pessoas e despertar a sensibilização e então a conservação. 

Além disso, a comunicação deve ser bidirecional, uma troca constante, remodelar os anseios e as expectativas se for necessário, e a partir das dúvidas das pessoas dar o melhor da informação científica e construir junto um novo cenário onde todos possam contribuir um pouco para preservação dos recifes de coral e do sistema marinho como um todo. 

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Fonte:

EXPEDIÇÃO CORAL, 2018: 

https://coralvivo.org.br/arquivos/documentos/Catalogo-Expedicao-Coral-1865-2018.pdf

FERREIRA & MAIDA, 2006: 

https://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/o-que-fazemos/Monitoramento_dos_Recifes_de_Coral_do_Brasil_Livro.pdf

INSTITUTO ÁGUA SUSTENTÁVEL, 2021: 

https://aguasustentavel.org.br/conteudo/programa-pompa

PROJETO CORAL VIVO, 2021: 

https://coralvivo.org.br/noticias/estudo-do-coral-vivo-descobre-fatores-que-tornam-os-recifes-do-brasil-os-mais-resistentes-da-terra

PROJETO CORAL VIVO, 2021: 

https://coralvivo.org.br/noticias/mesmo-completamente-branqueados-corais-brasileiros-são-capazes-de-se-reproduzir

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